quinta-feira, 23 de abril de 2015

Crepúsculo de uma vida.

Crepúsculo de uma vida.

O coração, outrora vigoroso, quase parou..
A diabetes, traiçoeira e silenciosa, se instalou. Se abrigou.
O corpo robusto, repentinamente, murchou.
Assim, o contista emudeceu.
E ele chorou !

Seus olhos perderam o brilho.
Seu sorriso aberto, se fechou.
O contista emudeceu.
E ele chorou !

A menina com seu vestido colorido, seu andar dolente e seu sorriso brejeiro.
Todo esse requebrar malicioso e sensual, para o velho contista nada dizia,
O contista emudeceu.
E ele chorou !

Bem à sua frente, o beija-flor ia de flor em flor. Sua plumagem desenhava múltiplos arcos- íris.
Para o contista, nada dizia.
O contista emudeceu.
E ele chorou !

A manhã acordara e com ela toda a natureza também despertava. O vento soprava, os pássaros voavam, as flores dançavam, mas para o velho contista não havia alegria. O quadro apresentado nada dizia.
O contista emudeceu.
E ele chorou !

Na mente difusa do velho contista a fidelidade da linda Penélope para com Ulisses, o canto de sedução das Sereias ou o amor sem limite entre Romeu e Julieta, pouco importava.
Não havia poesia.
O contista emudeceu.
E ele chorou !
Chorou o velho contista..
Emudeceu.
E assim ficou..

Sidney Tito
Junho/2014.

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