Crepúsculo de uma vida. O coração, outrora vigoroso, quase parou.. A diabetes, traiçoeira e silenciosa, se instalou. Se abrigou. O corpo robusto, repentinamente, murchou. Assim, o contista emudeceu. E ele chorou ! Seus olhos perderam o brilho. Seu sorriso aberto, se fechou. O contista emudeceu. E ele chorou ! A menina com seu vestido colorido, seu andar dolente e seu sorriso brejeiro. Todo esse requebrar malicioso e sensual, para o velho contista nada dizia, O contista emudeceu. E ele chorou ! Bem à sua frente, o beija-flor ia de flor em flor. Sua plumagem desenhava múltiplos arcos- íris. Para o contista, nada dizia. O contista emudeceu. E ele chorou ! A manhã acordara e com ela toda a natureza também despertava. O vento soprava, os pássaros voavam, as flores dançavam, mas para o velho contista não havia alegria. O quadro apresentado nada dizia. O contista emudeceu. E ele chorou ! Na mente difusa do velho contista a fidelidade da linda Penélope para com Ulisses, o canto de sedução das Sereias ou o amor sem limite entre Romeu e Julieta, pouco importava. Não havia poesia. O contista emudeceu. E ele chorou ! Chorou o velho contista.. Emudeceu. E assim ficou.. Sidney Tito Junho/2014.
quinta-feira, 23 de abril de 2015
Crepúsculo de uma vida.
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