sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Joãosinho 30


O Brasil, o Carnaval e o Mundo choram a ausência de Joãosinho 30.
Pequeno grande homem ? Não! Simplesmente um gênio. E gênio não se explica. Gênio se aplaude e se venera. Assim foi o pequeno notável. Um artista que sabia misturar o ouro, a prata e a lata. Que sabia mostrar a pobreza e a riqueza em um mesmo quadro da vida. Que sabia misturar a lágrima e o sorriso. Que juntava o pagão e o pecador. O sol e a lua.
João chamdo de 30, mas sque valia mais que 30 quilates. João Rei, João Imperador que - no reinado de Momo - rasgava sua fantasia e se transformava em "escravo dos sonhos" para mostrar ao Mundo que o pobre pode ser rei, imperador e também ser feliz, mesmo que no meio do lixo e junto aos urubus.
João que deixou sua terra natal, onde os sabiás acocorados nas palmeiras cantavam para saudá-lo, pegou carona rumo ao Céu nas asas do Beija Flor.

Amor e Paixão

Amor e Paixão

O Sol flertava com a Manhã. A impetuosidade do Sol impressionava a ingênua Manhã. Para ela, o Sol era o símbolo da masculinidade, do vigor e da potência astral. Ele era o rei!
Apesar de assim pensar, resguardava sua pureza das investidas do amante Sol. Ele, sempre furioso, não a adulava, não lhe era cortês, delicado, mas dizia amá-la com paixão. E ela acreditava.
E ele a fez mulher. Viril, possessivo e depois claramente ciumento tolhia-lhe os passos. Manhã não tinha vida própria. Obedecia sempre e subjugada se lamentava da vida que levava. Mas, tudo sem amor e respeito torna-se frágil, repetitivo e cansativo. Com eles não foi diferente. E a paixão morreu. Ficou apenas a contumácia que se vestiu de arrependimento. Mas, o que fazer? Vida sem vida! Sorriso sem alegria!
Luar – filho da Noite – sentia saudade da Madrugada, irmã gêmea da Manhã. Ele a amava com ternura e zelo e não se envergonhava de pedir ajuda às estrelas para agradar sua amada. Elas se aglutinavam e formavam vários desenhos, originando as constelações de Ursa Maior, Peixes, Pégaso, Órion e Cruzeiro do Sul. Madrugada sorria feliz com a atitude inocente do amado. A cada dia esse sentimento fluía, se sedimentava e os uniam sólida e harmoniosamente.




Ela sentia falta dele e ele não a tirava do pensamento. A osmose sentimental se fazia presente. Assim, o amor se fez. Eles se casaram. Madrugada se vestiu de nuvens e sua grinalda era ornamentada por cintilantes estrelas. A Lua festejava o enlace e ficou durante todo o acontecimento. Os grilos falavam o tempo todo. E o amor os acompanhou por toda a vida.
Manhã vivia triste e chegava até a invejar a felicidade da irmã, todavia, jamais existiria para ambas qualquer semelhança entre Abel e Caim. Havia, sim, a cumplicidade e amor que as uniam e as completavam.
A mãe Lua observava atentamente a vida das filhas. Reconhecia ela o poder, a impetuosidade do Sol, seu ciúme doentio e a sua temperatura inconstante que fazia oscilar seu humor. Humor, não, seu mau humor. Torcia ela, para o bem da filha, que o comportamento do Sol fosse temporário e nessa espera sem fim, o universo ia girando em torno do seu próprio eixo.
Durante todo o ano, recebiam a visita da Primavera, do Outono, do Inverno e do Verão. E nada mudava. A Lua permanecia atenta às atitudes do Sol. E nada mudava. Já cansada de esperar e para proteger sua filha do rancor do Sol, a Lua resolveu enfrentá-lo e criou o eclipse. Toda vez em que o Sol se inflamava demais, a Lua se intrometia entre eles. Assim, a Manhã se protegia do Sol, sob a sombra da Lua.
Fica aqui, a lição de que     amor de mãe é infinito.
 Que o digam os astros!