Ponto Final.
Pai e filhos andam abraçados. Um caminhar hesitante, trôpego a um destino desconhecido. Param. Um frente ao outro. Se entreolham e seus sorrisos se cruzam. Olham ao redor e confirmam a triste e cruel realidade; os campos, outrora floridos e verdejantes, deram lugar a um quadro devastado, amarelado e pontilhado por animais que se contorcem em tremores mórbidos.
A memória não os faziam esquecer dos antigos verdes campos, das frutas sadias e suculentas. Dos rios límpidos habitados por peixes lépidos e de escamas brilhantes. Das noites claras onde o piscar das estrelas os faziam felizes e sentimentais.
Recordavam dos dias, em que havendo paz no mundo, andavam de bicicletas e a cada tombo ocorrido, que os faziam beijar o solo, sentiam o cheiro de terra em fecunda gestação. Terra que vivia, terra que suava. Hoje, já não se podia dizer o mesmo ! Os frutos cobertos por zinabre exalavam um odor nauseante. Os rios cobertos por peixes disformes, anormais e moribundos. As folhas secas e alguns galhos retorcidos e queimados davam uma visão fantasmagórica. Uma hecatombe, sem dúvida. Os cogumelos jaziam em suas próprias casas. Pelo menos, foram mais felizes que os mutuários das casas quase-próprias.
O atual quadro era o resultado da ganância do homem em busca do poder, das experiências com armas nucleares, do espiar e manipular o genoma em busca do recriar a criatura, do acasalamento embrionário, do desrespeito à natureza e da falta de fé em um DEUS SUPREMO.
Uma luz brilhante acompanhada de um estrondo fê-los olhar para o horizonte distante. Nesse instante, suas mãos se entrelaçam simbolizando um ato de amor fraternal. Foi-se o começo e o meio. Era o fim !
Suas almas sobem unidas abandonando os respectivos corpos chamuscados. E essas almas choraram tanto e tão abundantemente que suas lágrimas se transformaram em chuva. Chuva que regava a terra, dando uma remota esperança de nova vida.
